quarta-feira, outubro 25, 2006

Coimbra à noite

Amo Coimbra. Adora-a com tudo o que tem de bom e de mau. Mas, de tudo, o que eu mais gosto é de andar pela cidade à noite... Coimbra é doce, subtil e misteriosa à noite. E linda! Mais linda ainda!

quinta-feira, outubro 19, 2006

Choupal

Não dispenso os meus passeios semanais, de bicicleta, pelo Choupal.
Por isso sinto-me com legitimidade para fazer algumas críticas sobre o desleixo a que tem sido votado este parque verde de Coimbra.
É confrangedor ver aquele espaço tão abandonado, tornando-se sombrio e, até, inseguro. Não me atrevo a percorrer certas zonas do choupal porque tenho receio, tal é o estado de abandono.
Por que não organizar umas brigadas de limpeza, voluntárias? Eu com toda a certeza, dava um pouco do meu tempo para essa missão!

terça-feira, outubro 17, 2006

A Baixa perdida

Inauguro a minha participação no blog "Coimbra dos Amores" com algumas recodações da Baixa da minha infância.
A minha mãe era farmacêutica na Farmácia "Silcar" (nome que deriva de Silva e Cardoso, nome dos dois sócios fundadores da mesma) e levava-me várias vezes à Baixa, onde me encontrava com vários familiares e figuras bem conhecidas de Coimbra.
Um dois locias que mais me ficou marcado nessa altura foi "A brasileira". Lembro-me de entrar e, logo à esquerda, a vitrine dos bolos. Pedia sempre ao meu padrinho ou ao meu pai o bolo mais cremoso que ali houvesse (normalmente uma Bola de Berlim ou um Guardanapo) . Foi também ali que o meu pai, nos seus tempos de jovem, aprendeu a jogar bilhar, bem como, todas as jogadas para "tramar" o adversário. Tinha também um balcão mais ao fundo à esquerda, de onde saíam as bicas, galões, tostas, etc... Hoje, quando olho para o espaço, parece obviamente bem mais pequeno. Eu era uma criança de perna curta, e era uma eternidade ir de um lado ao outro do café. Este maravilhoso estabelecimento é hoje mais uma pré-formatada loja de roupa... Por falar em loja, queria também falar do "Tivoli". Foi lá que chorei com "A bela adormecida".Foi numa matiné que a minha mãe fez o favor de me levar. Tinha os meus 5 anos, talvez mais. Foi a primeira vez que fui ao cinema e a última ao Tivoli.

Enfim, saudades de uma Baixa perdida, que encontro em cada recordação...


Um grande abraço conimbricence

domingo, outubro 15, 2006

O milagre que falhou

Reza a história que, há muitos anos, dois irreverentes estudantes da Universidade de Coimbra decidiram roubar tantas louças e talheres quanto possível do Chá Dançante. Terão passado a noite a reunir o espólio, que esperavam conseguir transportar para a república onde habitavam debaixo das capas.
Saíram então do Chá Dançante e encaminharam-se para a sua residência, com o fruto do furto escondido debaixo das capas e com a habitual postura divertida. No caminho, tiveram a infelicidade de passar por um guarda. Ciente dos seus deveres e vendo que os estudantes ocultavam algo dentro das capas, o polícia perguntou-lhes:
_ O que é que levam no regaço?
Da forma como foi colocada, a questão apelava claramente ao espírito Coimbrão, ou não conheçamos todos a célebre cena da Rainha Santa e do milagre das rosas…
Um dos estudantes não se fez rogado: abriu as mãos, e consequentemente a capa, e as louças caíram no chão com um enorme estardalhaço… O rapaz exclamou apenas, mantendo o ar bonacheirão:
_ Oh, o milagre falhou!

segunda-feira, outubro 09, 2006

A CIC na Solum

Andávamos aos tropeções pelos corredores, porque os familiares paravam a cada passo para cumprimentar alguém conhecido. Nós? Nós também víamos os amigos da escola, embora fosse noite. Lá iam, pela mão dos país, a tropeçar noutras pessoas como nós. Corríamos, aos encontrões, em busca de brindes de todas as cores, feitios e utilizações. Na cabeça, usávamos coroas de papel! E furávamos cartões que davam chocolates…
A CIC, a feira anual da Associação Comercial e Industrial de Coimbra, era assim quando eu era criança. Tinha lugar na Solum. Fechava-se toda a Praça Heróis do Ultramar para receber aquele mar de gente que, noite após noite, inundava o certame.
O pessoal do Bairro fazia na CIC o seu passeio depois de jantar. Havia sempre tanta gente que eu, miúda, temia perder-me dos meus entes queridos. Mas, quando havia alguém a liderar “a revolta”, eu também corria que nem doida por entre as pernas dos transeuntes…
Alguém esteve lá a correr comigo???

sexta-feira, outubro 06, 2006

Vamos à Feira?

A feira do Bairro Norton de Matos é um clássico de Coimbra.
As manhãs de sábado têm cor e sabor diferentes.
9 da manhã (não consigo estar lá mais cedo. Acordar é-me difícil) chegamos ao Bairro. É um fervilhar de gente e o barulho é ensurdecedor. Vamos lá comprar umas cenas baratas. DVD’s de filmes que ainda não estrearam em Portugal, a 5 euros. Interessante mas fica para mais tarde se, entretanto, a polícia não aparecer e os vendedores piratas, terem de se pisgar, enquanto é tempo.
Ouve-se no megafone: “ Duas peças, cinco euros. É tudo de marca. Vamos lá, senhoras! Escolham, escolham! A banca está repleta de gente à volta a inspeccionar umas quantas peças. Não vá chegar a casa e deparar-se com uns defeitos. Tento aproximar-me mas é quase impossível. Não sei como as minhas amigas ainda me convencem a vir aqui, penso para mim mesma! Mas, ok, acaba por ser divertido. Especialmente, quando caras da “Fina-flor Coimbrã” estão ali, ao lado do comum dos mortais, a escolher umas camisolinhas e a ser entaladas por gente que, como eu, tenta chegar à banca. Lindo! Lindo porque algumas dessas senhoras ficam atrapalhadas quando fazemos questão de as cumprimentar. Senhoras que supostamente compram roupas no Porto, Lisboa, ou em Espanha e Londres, pois a nossa Coimbra não está à “altura da sua classe”.
Seguindo em frente! Paramos em mais não sei quantas bancas de roupa amontoada e, finalmente, conseguimos encontrar umas camisolas bem giras e baratinhas, que é o que interessa! Porque a malta não nada em dinheiro. Passagem obrigatória pela fruta e pelo peixe. Dirijo-me sempre à mesma vendedora que me faz uma festa. “ A menina tem andado desaparecida. Está zangada aqui com a Maria? Então o que vai hoje?
Faço o meu pedido. A Maria avia-me e antes de fechar o saco, acrescenta: vou por aqui mais uns peixinhos porque a menina está muito magrinha. É oferta aqui da Maria.
Digam lá, que não amorosa, a “Boutique do Bairro”?

terça-feira, outubro 03, 2006

O petróleo d' O Bairro

Tinha seis anos quando conseguimos pôr electricidade em casa. Sim, vivi toda a minha vida em Coimbra! E não, não tenho cem anos! Isto passou-se nos anos 80, ali para os lados dos Olivais.
Até aos seis anos, “sobrevivíamos” com candeeiros de petróleo. E de onde vinha o petróleo? Nessa altura eu não sabia o que era o Médio Oriente e, para mim, o petróleo vinha do Bairro Norton de Matos!
De tempos a tempos, a minha mãe informava a casa de que a reserva de petróleo estava a terminar e por isso “temos de ir ao Bairro” (ainda hoje é “O Bairro”!)
Naquele tempo, o Bairro era MUITO longe. Tínhamos de apanhar dois autocarros (salvo erro) e depois atravessar a linha a pé! Ou estou muito enganada ou ainda nem havia viaduto! Bom, sei que, de garrafões na mão, aquelas “viagens” eram verdadeiras excursões!
Quando cresci e me apercebi que o Bairro era a uma meia hora a pé da minha casa… fiquei MUITO abalada! LOL